Veja como o Jardim Literário está vicejante.

Só falta você.

Florido e encantador, nasce o Jardim Literário, prometendo transformar-se numa praça, onde as borboletas virão se alimentar do néctar das flores. Na certeza de que os jardineiros irão sempre fertilizá-lo, a cada dia teremos botões desabrochando e muitas rosas farão este jardim ficar mais poético e inspirador.

Agradecemos a todos que deram início a esta jardinagem e convidamos você para fazer parte deste jardim.

Todas as quintas-feiras, das 8h às 10h, na Rua dos Prazeres, 248, Ilha do leite (próximo a Praça Miguel de Cervantes)

Contato: 81-9971.9354 /3222.0894

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

PIANO - Cléa Muller


Idade de Cecília: 10 anos.
Por essa época há uma grande mudança em sua vida. Seus pais a colocam em um colégio novo. Por ser muito distante de sua residência, resolvem que ela ficará em tempo integral na escola, onde fará os deveres (que seriam de casa), aprenderá bordado, fará educação física e rezar, pois as educadoras são freiras.
No início é difícil a adaptação. Aos poucos vai entrando no ritmo do lugar, dos mestres e colegas.
Um certo dia, passando por uma ala da escola na qual ainda não havia estado, percebe um som que nunca tinha ouvido. Anda de um lado para outro do corredor, até descobrir de onde vem aquela melodia .Imagina-se transportada nas asas de anjos! Não titubeia em abrir a porta, que, na sua cabecinha inocente, é a porta do céu.
“ Só pode ser o paraíso e anjos devem morar aí. Preciso conhecê-los”
O clic do trinco a assusta um pouco; ainda mais que ela sabe que está andando por lugares proibidos para as alunas.
Em vez de anjo depara-se com uma mocinha muito simpática, sentada em um banco e dedilha um instrumento. O som para no momento da intromissão. Cecília está prestes a dar meia volta e sair correndo, com medo da carraspana, que com certeza irá levar. Os olhos ficam marejados e ela empalidece.
Acontece que a doce mocinha, que se chama Luiza, não é santa; também não é diabo. Ao perceber que tem uma ouvinte curiosa, convida-a, gentilmente, a entrar.
Um misto de vergonha e alegria a deixa inerte, sem saber que atitude tomar. A moça, que na verdade é professora de música, incita Cecília a sentar-se no banco, ao seu lado. Encabulada, aproxima-se devagar, ficando frente à frente com um instrumento lindo e tão diferente que a deixa deslumbrada.
“Parece uma comprida dentadura com dentes brancos e pretos.” Pensa.
Não cabe em si de contente quando Luiza explica: -Nós estamos sentadas diante de um instrumento musical chamado piano e aqui, são as teclas ;indicando “ os dentes” pretos e brancos.-Ao serem tocadas, de dentro do piano saem os sons.
Delicadamente a professora coloca as mãos da menina sobre o teclado. Cecília faz leve pressão sobre as teclas. Os olhos brilharam de satisfação. Exclama, encantada por sua façanha: -E não é que consegui? Olhando a professora diz, contente: -Sai som !
Mais contente fica quando inicia a ter aulas de verdade. O teclado passa a ser continuação dos seus braços e dedos ; ela se transporta a um mundo de sonho.Lindo e suave.As melodias que vibram através deles mexem com a sensibilidade de todos o que a ouvem..

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