Veja como o Jardim Literário está vicejante.

Só falta você.

Florido e encantador, nasce o Jardim Literário, prometendo transformar-se numa praça, onde as borboletas virão se alimentar do néctar das flores. Na certeza de que os jardineiros irão sempre fertilizá-lo, a cada dia teremos botões desabrochando e muitas rosas farão este jardim ficar mais poético e inspirador.

Agradecemos a todos que deram início a esta jardinagem e convidamos você para fazer parte deste jardim.

Todas as quintas-feiras, das 8h às 10h, na Rua dos Prazeres, 248, Ilha do leite (próximo a Praça Miguel de Cervantes)

Contato: 81-9971.9354 /3222.0894

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sábado, 3 de outubro de 2009

REFLEXÕES - Djanira Silva


A letra R escolhi
Neste meu prazer diário
E este texto escrevi
Para o Jardim Literário

REFLEXÕES

Reajo diante de mudanças.

Rever todos os dias os mesmo lugares, repetir as mesmas coisas, tornou-se um hábito como respirar, ver, ouvir ou falar, tudo na verdade, uma arrumação sem sentido.

Rotina quebrada deixa-me confusa.

Retorno do sono. Olho ao redor. Reluto contra um mundo fixo, um mundo que não sai do lugar, que não se renova que transforma o homem num zumbi.

Retomo as rédeas das indecisões e vejo que minha maior reação é contra o que sou. Na verdade, não sei o que quero, sequer acredito no que penso.

Revejo o mundo. Procuro, através das coisas, mistérios que nunca soube explicar.

Refreio sentimento, reduzo a velocidade das lembranças.

Recuso-me a embarcar na arrumação dos dias. Uma realidade arrumada se interpõe entre querer e fazer, sonhar e ver a verdade de cada um, destorcendo imagens construídas na indecisão.

Renasço para pensar que sou feliz. Resguardo tudo quanto pensei, amei, acreditei. De ser criança não tive culpa se cresci foi contra a vontade. Desejar ser gente grande, desejei e hoje amargo os enganos de um desejo perdido.

Releio, página por página, a minha história. Nada de novo. Nada de velho. Tudo sem seqüência, sem coerência.

Resignada caminho por entre pedras que me esmagam os pés e se jogam contra meu rosto apagando o meu sorriso.

Rio e choro e sigo o rio que lava os pés das bananeiras enchendo a várzea das passadas miúdas de crianças verdes e do olhar verde da menina verde que atravessa o mato, feito as folhas maduras que rodopiam sobre seus cabelos cor de mel.

Respiro como se fosse a última vez. Reclamo diante do que sou. Nada fiz para melhorar as belezas de um mundo que recebi de graça. Não sei se partirei de mãos vazias. Não sei se deixarei qualquer lembrança. Talvez a relva esmagada denuncie meus passos.

Reconheço mensagens na natureza. Paro, olho escuto.

Rosas desfolhadas, na entrega do mel.

Refulgentes borboletas de flor em flor na colheita da vida

Resistirei à minha insignificância? Representarei o papel que recebi ou subverterei a ordem da vida para acreditar que sou feliz?

Rasgo papéis, recorto jornais, recolho fragmentos de idéias alheias. Refugio-me nos enganos da inspiração. Penso que penso.

Resisto, tenho que resistir ao desânimo que me desacredita. Por que não encher as mãos de flores e espalhá-las por aí deixando que as sementes me entreguem os mistérios de tudo quanto não sei?

Remontarei com pedaços de mim um mundo novo, pedaços que já se encontravam incorporados ao universo muito antes da minha chegada.

Respostas? Estão aí, nas coisas mais simples. No canto do bem-te-vi, no vôo do beija flor e na indiferença do homem que não consegue escutar os derradeiros gritos de um mundo em decadência..

Réquiem para uma natureza morta

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