

O Menino e o Biscoito
Saí de carro por volta das 12 horas. Ao parar no semáforo se aproximou de mim um menino, 9-10 anos, estendeu sua mão e me pediu um trocado. Na outra mão ele segurava um pacote de biscoitos.
Respondi que não tinha e, antes que ele se afastasse, sorri e lhe pedi um biscoito.
Surpreso, mesmo desconfiado, o seu gesto foi estirar a mão para que eu tirasse o biscoito. Assim o fiz. Quando ele me viu colocar o biscoito na boca, como num passe de mágica seus olhos brilharam, seu semblante resplandeceu , abriu um sorriso encantador, livre, puro... A cor de sua pele tornou-se mais corada, sua postura ficou mais digna, virou gente! Por um instante não era um pedinte, era uma pessoa que experimentava, mesmo num simples gesto, a alegria de doar, de ser útil, direito que também lhe fora negado.
Ele pode sentir a ausência de medos e preconceitos que sempre experimenta ao se aproximar da maioria das pessoas. Naquele momento o que havia era a fragrância da atenção, do respeito e da generosidade. Assim, afastou-se radiante, acabara de ter um novo nascimento.
Os excluídos, que a sociedade fecha os olhos para não ver, por estarem no fundo do poço escuro têm os sentimentos de revolta e ódio fortalecidos potencializando a violência.
Certamente, por menor que seja, um gesto de atenção, de respeito e generosidade faz resplandecer a luz interior. Essa lembrança pode gerar a esperança de um mundo melhor.
Essa vivência revelou-me que além da alegria de se praticar atos generosos, grande é a alegria de proporcionarmos oportunidades e meios para que pessoas, mesmo desacreditadas, ignoradas possam também sentir a satisfação da prática da generosidade.
- Um sinal vermelho -Um menino - Uma luz -Um nascimento
- Um instante -Um biscoito - Uma esperança Um novo
- Um gesto -Um sorriso - Uma lembrança Mundo
Autor:PF- Oficina Literatura- Jardim Literário. Prof. Antonio Guinho
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